Logotopia

O utópico desafio das marcas
em busca de uma logo única

12 de maio de 2017

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A feira global

Já não há mais espaço para a óbvia observação de que estamos em uma arena global e interligada digitalmente. O mundo se tornou um grande mercado. Melhor ainda, uma feira. Uma feira enorme. Lotada, barulhenta, colorida, onde todos lutam por atenção. Atenção de um consumidor que é capaz de ver todas essas barracas, seus produtos e serviços ao mesmo tempo, independente do quão longe estejam.

 

Olhando para o passado, em um mercado bem menos competitivo e comunicativo, surgiu a necessidade de se criar identificação e destaque entre a concorrência. Assim se estabeleceram as identidades visuais, muitas vezes baseadas em dois elementos principais: logo e cores.

 

Dois elementos, porém suficientes. Usados de maneira sistemática e repetitiva, era possível estabelecer um elo marcante com seu cliente. Ocupar um espaço em sua mente de maneira que aquele símbolo ou cor específica, em determinada situação, significaria sua marca. Uma lógica que ainda se vê presente. Sabemos que existe um banco laranja, um certo tira manchas rosa e uma cerveja azul. Assim como qual é a marca de computadores da maçã, de camisas do jacaré e de carros dos quatro círculos.

 

Espaço marcado

A grande propriedade no design de logo é a síntese. Aqui se faz valer o “menos é mais”. Símbolos simples se tornam mais fáceis de serem entendidos, absorvidos e reaplicados.  Daí a infinidade de marcas baseados em desenhos geométricos, onde as formas primárias da matemática são um caminho para solucionar essas questões. Porém…

 

Quantas cores entendemos como realmente distintas? Ou de quantas maneiras diferentes se pode desenhar um quadrado?

 

Olhe para a tela do seu celular. Pelo menos 20 ícones diferentes, em uma mídia de poucos cm². Diferentes? Existe espaço para novos símbolos se o pensamento de construção por trás de todos é tão similar?

 

 

Os sistemas de identidade evoluíram, incorporando novos elementos: grafismos, fotografias, ilustrações, animações, tridimensionalidade, sons, cheiros, texturas. Tudo na busca por uma versatilidade que seja mais interessante e ainda consiga manter aquele espaço marcado na mente do consumidor.

Consistência 2.0

Hoje vivemos um momento onde as marcas estão sendo questionadas. Não há espaço para se construir promessas que não sejam reais e entregues aos consumidores. Assim como não há espaço para erros na mensagem que será passada para o público.

 

Lembre-se da nossa feira global. Em meio a tanta informação e poluição é fundamental ter uma mensagem direta, criativa e assertiva. Porém agora a consistência não se dá puramente através da padronização gráfica, mas sim por uma construção visual que suporta o conceito da marca. Identidades que, preparadas para esse contexto, não precisam se limitar a carimbar seus produtos com símbolos rígidos e estáticos.

 

Nesse contexto em que as marcas devem ser profundas em propósito, suas identidades não só devem espalhar essa mensagem, mas também vivê-la.

 

É o caso da Flow onde o logotipo abraça a ideia de se adaptar a sua rotina te ajudando a manter seu ritmo.

 

Nake-it onde a identidade é baseada em uma tarja que ironicamente censura os padrões estabelecidos no consumo do vinho.

 

Acttive em que o símbolo reflete a capacidade de adaptação para ligar pessoas e tecnologia.

 

Marcas que conseguem contar sua história através de identidades orgânicas e dinâmicas, alinhando aspecto visual com propósito real, e assim encontrando uma personalidade única.

 

E nessa feira global, sua marca é única ou se parece com alguém?

Gustavo Gontijo

Head Designer

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